Operação apura retenção de R$ 5,6 milhões em tributos pagos por contribuintes de Governador Valadares
07/10/2026
(Foto: Reprodução) Operação Boleto Fantasma: Desvio de R$ 5,6 mi em Governador Valadares
A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou, na manhã desta quarta-feira (7), a operação "Boleto Fantasma" para investigar a retenção de cerca de R$ 5,6 milhões na arrecadação de tributos municipais de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, leste do estado.
Durante a ação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços de Belo Horizonte, Nova Lima e Contagem.
Segundo a investigação, empresas contratadas para processar boletos de arrecadação municipal teriam retido parte dos valores pagos pelos contribuintes antes que o dinheiro fosse repassado à Prefeitura de Governador Valadares.
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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) autorizou as medidas e determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite do prejuízo apurado.
Celulares e documentos foram apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares e documentos que serão analisados ao longo das investigações. A Justiça também determinou medidas para preservar os bancos de dados tributários do município.
Além do bloqueio de ativos, foi determinada a suspensão cautelar das atividades de intermediação da arrecadação municipal pela instituição investigada. Os alvos da operação também estão sujeitos a medidas cautelares que não envolvem prisão.
A ação foi realizada pela Polícia Civil em conjunto com o Departamento Estadual de Combate à Corrupção e a Fraudes (Deccof) e a Procuradoria de Justiça Especializada em Ações de Competência Originária Criminal (PCO/Caopp).
Operação apura desvio de R$ 5,6 milhões em tributos pagos por contribuintes de Governador Valadares
Polícia Civil
Prefeitura diz que não foi notificada
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Governador Valadares informou que ainda não havia sido notificada oficialmente sobre a operação realizada pela Polícia Civil.
Segundo o município, com base nas informações divulgadas pela imprensa, a investigação está relacionada a contratos firmados entre a gestão municipal anterior, encerrada em 2024, e a empresa Nobe Software.
A prefeitura informou ainda que os contratos já são alvo de uma sindicância administrativa interna para apurar possíveis irregularidades.
A administração municipal também declarou que está à disposição das autoridades e dos órgãos de controle para prestar os esclarecimentos necessários.
O que diz a empresa investigada
A Nobe Software nega irregularidades e afirma que os cerca de R$ 5,6 milhões questionados correspondem a tarifas previstas no contrato para processamento de boletos, e não à retenção de valores pertencentes ao município. Segundo a empresa, o contrato previa 10 mil boletos por mês, com cobrança de R$ 1,70 por boleto processado, R$ 1,90 por boleto liquidado e R$ 0,49 pela baixa automática de boletos registrados e não pagos.
Operação apura desvio de R$ 5,6 milhões em tributos pagos por contribuintes de Governador Valadares
Polícia Civil
A empresa sustenta que o volume de boletos aumentou após mudanças no calendário tributário de 2026 e atribui a controvérsia à falta de previsão orçamentária e de empenho suficientes por parte da prefeitura. Para embasar a versão, apresentou documentos, entre eles um ofício da Secretaria Municipal de Fazenda, de 29 de setembro, segundo o qual os valores se referiam a tarifas de boletagem, e não à retenção de receita tributária do município.
A investigação segue sob segredo de justiça.
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